Capas de revistas, a embalagem

Fonte: Design de Revistas/Portugal Atualização para a linguagem editorial brasileira Raquel Braz Ribeiro

A capa de uma revista é algo que diretores de arte, editores e designers tratam com uma seriedade quase neurótica. Para uma revista que enfrenta uma competição feroz por parte dos seus vizinhos de banca, é a diferença entre estar 15% acima da média de vendas em qualquer mês e 15% abaixo. É óbvio que o conteúdo é a chave, mas sem uma boa capa que a torne atrativa, em primeiro lugar, os leitores não saberão o que está lá dentro. A capa é fundamental na persuasão aos leitores quanto à escolha de certa revista em detrimento de outra. Mesmo que a revista não tenha informações importantes, a capa deve mesmo assim competir com tudo o que a rodeia pela atenção do leitor.



Chamadas de capaEntre as revistas mais conhecidas a tipologia das letras que compõem a chamada principal da capa é quase tão familiar como o próprio nome da revista. Isto é particularmente verdade nas revistas que têm mantido a mesma tipologia durante muitos anos. Paradoxalmente, quando a chamada principal atinge tal estatuto, os designers das revistas passam ter certa flexibilidade na sua implementação. A maioria das chamadas principais tem um design estável. As cores podem mudar ou talvez até o tamanho, mas a letra permanece a mesma de número para número.


Contudo existem revistas que rejeitam esta convenção, como é o caso da Blah Blah Blah. Influenciada pela tipologia da chamada principal de capa da sua irmã Ray Gun, mudou sua a cada número e mesmo assim permaneceu distinta e reconhecível, um tributo as qualidades do próprio design. Não podemos esquecer que as revistas são livres para fazerem as chamadas mais sutis ou não, utilizando uma letra menor ou jogando o tipo de jogos que torne as capas eficazes.


Imagens de Capa
Como podemos verificar, a maioria das revistas tem imagens na capa. Atualmente, existem poucas revistas que contém histórias baseadas em texto nas páginas da frente ao estilo dos jornais. Há algum tempo atrás as capas eram vistas como meros embrulhos protetores das revistas e enquanto que a informação ai contida variava obviamente, pois eles não viam necessidade de mudar de imagem. Cada vez mais as revistas tem utilizado imagens que estão ligadas aos seus conteúdos, por exemplo as revistas baseadas em notícias, a imagem de capa tem a ver com os acontecimentos da semana ou do mês. Quer a revista seja um título de comércio, ou suplemento de revista, está terá uma imagem. Existem dois tipos de imagem de capa: imagens de primeiro ícone, que pode ser rapidamente compreendido e apreciado em toda a sua extensão e imagens mais complexas e mais detalhadas que obriga a uma atenção em especial.

Subchamadas
A principal função das "chamadas coadjuvantes" ou "chamadas menores" é captar a atenção dos leitores, persuadindo-os a comprar uma revista em vez de outra. Mesmo quando a revista esta pré-vendida, as subchamadas são muitas vezes acrescentadas para encorajar os leitores a ler aquilo que compraram ou apenas para preencher as suas expectativas sobre qual o aspecto que uma revista deve ter. Na revista Esquire ao lado, as chamadas da revista estão belíssimamente espalhadas pelo corpo da modelo.
A informação que surge nas capas recebe diferentes tratamentos quando variam de título para título, de modo a alcançar uma variedade de efeitos: uma aproximidade controlada, ou de só são enunciados os artigos mais importantes, pode sugerir um espaço de calma sofisticação: as capas que anunciam seu fôlego a recapitulação de todos os últimos produtos ou páginas de horóscopos podem querer sugerir que a revista é uma pechincha – “Tudo isto e ainda uma guia para televisão”. Todas as revistas, e em todos os seus números têm os seus atrativos que apelam à sua compra e usará neles o tamanho de letra ou a cor que permita que os subtítulos relevantes se destaquem não só em relação às revistas rivais, mas também em relação as outras subchamadas da mesma capa. Por vezes, essas subchamadas dão pistas sobre a personalidade da revista


Código de Barras, Data e PreçosQuando pegamos numa revista, podemos observar que as capas são bastante atrativas, e que a informação que lá está, só serve para persuadir o potencial leitor a folhear ou até mesmo comprar a revista; deste modo, as chamadas são feitas para apresentar um pacote atrativo ao leitor. Além destas informações, também possui informações que são menos atrativas para o leitor como o preço, data e o código de barras.
Esta informação não acrescenta uma fonte útil de informação ou uma diversão agradável ao objetivo da revista de ser de uma leitura interessante, é improvável que o designer da capa queira fazer dela um traço característico. Mas como é requerida, tem que ser incorporada no design da capa de modo que não prejudique o trabalho feito com os outros elementos que estão na página.
O mais difícil de incorporar numa capa é o código de barras devido ao seu fundo branco, pois implica que fique incongruente junto à imagem da capa. Embora em alguns casos o preço da revista possa servir como chamariz à sua compra, o leitor será usualmente capaz de prever o preço de uma revista. O preço deve ser imediatamente visível, mesmo que seja para conveniência do vendedor. Outro pormenor que os leitores dão importância é a data, pois gostam sempre de comprar o número mais recente da revista. A editora tem de decidir se a revista vai adotar um sistema de numeração sequencial ou se vai identificar os números pela data de publicação (Ex.: Edição nº 110 ou julho de 2009". Ambos sistemas têm o seu mérito, uma porque dá a conhecer a idade e a autoridade da revista, enquanto que o outro permite que os conteúdos da revista sejam mais facilmente associados com um ponto específico no tempo se a revista for mencionada em data posterior.




Estilos de capasA diferença entre um conjunto ou série temáticos das capas de revistas é pouca, mas significativa. Ao longo do tempo isto torna-se num traço tão identificador da capa da revista quanto ao cabeçalho. A The New Yorker, por exemplo utiliza sempre ilustração na sua capa, e a Twen utiliza sempre uma fotografia colorida de uma modelo ou várias contornadas a preto.



Séries de capas
Por causa da brandura de muitas capas de revistas, seria mais fácil aceitar que elas parecem semelhantes por causa de uma estética partilhada, do que a preocupação com dissidências. Contudo, algumas revistas individualizam-se por um distintivo estilo de capa que acompanha uma série de números. Isto pode ter por base o estilo de um fotógrafo ou um assunto particular. Nestes casos as capas fazem sentido quando vistas sozinhas ou em conjunto. O estilo torna-se fácil de conhecer um determinado titulo e ajuda a criar um sentido de continuidade entre os números.

Designers convidadosPor vezes o design de uma capa de revista não é feito na própria revista, pelos designers que trabalham nela, mas sim fora dela. Normalmente convidam designers conhecidos, para darem o seu estilo pessoal, às revistas, quer num único número ou em vários. O designer convidado difere do fotógrafo ou do ilustrador encarregado de fazer uma imagem de capa específica, já que lhes é dada toda a liberdade para fazerem a capa como quiserem. Para além disso tratando-se de um artista ou designer já estabelecido, o seu estilo distintivo ou o simples conhecimento de que foram eles que desenharam a capa pode aumentar a credibilidade da revista aos olhos do leitor.

LombadasAs formas de encadernação utilizadas numa revista resultam em grande parte do número de páginas que contém, das considerações orçamentais e dos fatores como a durabilidade que a revista deve ter, a maioria das revistas de banca contém centenas de páginas perfeitamente dobradas, deixando uma pequena superfície entre a capa da frente e a de trás que é muitas vezes ignorada – a lombada. Esta é importante, pois pode conter marcas identificadoras, tais como o logotipo e o número da revista particular no meio de uma pilha horizontal (veja acima a imagem que ilustra o cabeçalho do blog).
As revistas podem conter uma lista abreviada de conteúdos permitindo ao leitor o acesso a um artigo específico numa revista particular no meio de uma coleção. Por exemplo a revista Eye, contém na lombada informação sobre os seus artigos principais contribuindo para a percepção de que a revista têm uma utilização continuada como fonte de referência e de que será guardada depois da leitura. Mas por vezes a informação que vem contida nas revistas individuais pode também dar uma idéia de narrativa quando encarada no contexto de uma série de números. Estes pormenores que aparecem nas lombadas contribuem para a representação da revista não como uma compra única, mas como uma marca registada o que encoraja a lealdade e o consumo regular.


ContracapaTal como as capas da frente, as capas traseiras ou 4ª capa, servem para atrair atenção e depois seduzem os visitantes para aquilo que é realmente importante. Mas as contracapas são em sua maioria consideradas como excedente quanto às necessidades relativas à promoção da revista e identificação dos seus conteúdos, razão pela qual são na maioria das vezes vendidas aos anunciantes que pagam valores acrescentados por tal posição proeminente. Contudo, algumas revistas escolhem privar-se desse montante extra de modo a fazer da capa traseira um traço característico. A Dazed & Confuse dá aos seus leitores duas capas pelo preço de uma; imprimindo uma segunda imagem em sentido inverso nas costas da capa. A utilização das capas traseiras para propósitos editoriais vai para além da funcionalidade; algumas revistas decidem colocar anúncios na capa traseira enquanto outras preferem marcar pela diferença, dando aos leitores uma razão para desejar a revista.

EncadernaçãoDevido ao custo, convenção, durabilidade e fácil manuseamento, que a maioria das revistas é feita em pequenos tamanhos e é para ser lida em formato de retrato, permitindo que a encadernação seja feita debaixo da extremidade. Por vezes aparecem revistas com formas invulgares e que obrigam que as encadernações sejam diferentes, menos convencional.
A maioria dos designers prefere utilizar uma encadernação convencional devido aos custos. O que determina qual é o melhor método de encadernação é o número de folhas que terá essa revista, por exemplo uma revista com poucas páginas pode ficar melhor com grampos, que atravessam cada página de revista, incluindo a capa, para a conservar unida. Quando acontece o contrário, e temos uma revista com muitas folhas, requer uma encadernação perfeita sendo os vários grupos de folhas coladas à parte interior da capa, resultando numa lombada plana. Por vezes o designer opta por dobrar as folhas, seguindo o modelo do jornal quando o orçamento não chega para fazer uma boa encadernação.
As revistas são impressas e encadernadas em seções e as economias da sua produção podem determinar qual a forma e tamanho de uma revista bem como qual o método pelo qual é encadernado. Quando nos desviamos do que é a norma a colaboração de um impressor de revistas especializado numa fase recente permite ao designer encontrar um tamanho, forme, espessura e tipo de encadernação que combinem bem juntos e que sejam economicamente suportáveis.


Tiras de capa ou cintaAs tiras colocadas ao centro da capa tem uma variedade de utilizações, pois pode ter um papel funcional, quer desencorajando o leitor a folhear a revista antes de a comprar quer permitindo ao publicador juntar um suplemento ou da revista ou publicitário à revista sem que se separem antes do comprar. Outra das razões para envolver a revista numa tira central está na possibilidade de vender espaço publicitário na frente da revista sem conter efetivamente publicidade na capa ou na possibilidade de esconder palavras que possam ofender ou infringir a lei. A tira presa com um botão em volta da frente da Exame desempenha este papel. Na cinta usada na revista Nest, os leitores puderam também inferir da utilização do pano e do acabamento com um botão totalmente funcional que a revista está uma légua acima das suas concorrentes em termos de preço. A primeira suposição é confirmada assim que pegam na revista; a segunda tem de esperar até que desapertem o botão.
Caixas e SacosHoje em dia, a mão-de-obra está muito cara então encadernar revistas numa caixa além de cara não é prático para publicações com ampla circulação uma vez que os acabamentos têm de ser feitos a mão. Contudo, à pequenas revistas que fazem este tipo de acabamento. Enquanto que muitas revistas são para ler e pôr de lado, algumas são criadas para ser guardadas e muitas destas dão aos seus leitores meios de proteção e organização das suas coleções, tais como encadernadores de marca ou caixas especialmente produzidas. As capas e os sacos são também muitas vezes utilizados para proteger as revistas quer na prateleira quer no correio. Alguns designers fizeram disto uma virtude imprimindo um desenho na própria manga protetora ou criando uma embalagem, cuja construção torna o desempacotamento do produto em algo agradável.

Formato Pequeno/ LargoA maioria das revistas são de tamanho e forma similar, para poderem ser distribuídas através de correio ou vendidas nas bancas e porque as impressoras que são utilizadas para imprimirem as revistas só funcionam com revistas de tamanho padrão. Um desvio muito grande à regra implica um aumento dramático no preço da impressão, pois quanto maior for a impressão mais cara se torna e obriga que o preço final da revista aumente. O padrão A4 também tem vantagens ao nível do design: é suficientemente grande para permitir uma quantidade razoável de palavras e imagens em cada página e, ao mesmo tempo, suficientemente pequena para permitir uma leitura manejável. Muitos diretores de arte consideram que as vantagens de produzir uma revista deste padrão ultrapassam as desvantagens. A desvantagem de uma revista com um tamanho abaixo da média pode lembrar um livro, com a concomitante associação de permanência, manutenção e substância. Uma forma maior do que a usual dá ao designer mais espaço para brincar – útil se a revista tem, por exemplo, um artigo de fotografias de muito detalhe e boa qualidade.

0 comentários: